Construção de carreira na visão de um líder consciente
Eu, André Marchioro, tenho visto que está cada vez mais comum ver profissionais tratando da saúde motivados pela carga excessiva de trabalho, como crises de ansiedade, depressão, entre outros. O sistema econômico com suas buscas frenéticas pelo dinheiro, acaba sugando a alma das pessoas.
Refletindo bastante sobre os últimos meses, após o surgimento da Pandemia, alguns segmentos aceleraram o crescimento, e logicamente aumentaram a demanda por mão de obra.
Naturalmente os investidores que vivem em busca de maiores retornos financeiros, aplicam muito dinheiro nas empresas que querem crescer, exigindo que façam tudo o que tiver de ser feito para terem o crescimento tão esperado, que seja o mais breve possível. Nesse processo, boa parte das empresas perdem seus valores e princípios, pois a necessidade de crescimento, aliado a mais dinheiro, fama e status, acabam deixando a visão turva. E depois desse passo, é apenas isso que essas empresas enxergam daí para frente, onde os principais argumentos são, de que precisam mostrar resultados aos investidores, e que precisam mostrar para a sociedade que a marca é forte, com robustez e muito dinheiro.
Consequências
Em minha humilde opinião, tendo visto o cenário das empresas dos últimos tempos, tratando-se de empreendedores e colaboradores, quando as decisões são tomadas olhando apenas para o dinheiro, existe um crescimento “artificial”, onde a a tendência destas decisões é o início de uma decadência.
Inspirado em um de meus mestres, Dalai Lama, que eternizou um pensamento “Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente, nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.
Convido você a refletir sobre o seu momento atual de vida, e sobre o que vou expor aqui pode fazer algum sentido para você. Ou até mesmo, se você conhece alguém que passa por isso.
Eu listo aqui, algumas consequências de empresas que querem crescer visando apenas os lucros:
- Impõem metas absurdas, criando um ambiente que é uma verdadeira panela de pressão, gerando ansiedade em boa parte dos times
- Contratam pessoas pagando salários acima da média do mercado, e quando atingem o resultado esperado demitem, pois o custo é muito alto para mantê-los
- Gastam com consultorias para consertar problemas que são culturais, trazendo palestras motivacionais, onde as pessoas não são engajadas verdadeiramente
- Algumas empresas investem em sedes lindíssimas, colocam os puffs, chopps, chocolate quente para parecer legal e descolada, porém colocam câmeras filmando o que os colaboradores fazem para controlar tudo, desde horários, ações. Se apropriam das ideias dos colaboradores dizendo como sendo deles
- Não existe sentimentos reais ou sonhos compartilhados, tudo é interesse, uma troca. É normal romper relações, a interseção é apenas o dinheiro, e com o rompimento surgem as frustrações, as fofocas e outras emoções negativas e impactantes na cultura organizacional
Agora listo, as possíveis consequências para colaboradores que visam apenas ganhos financeiros:
- Muitas pessoas, ao receberem uma tentadora proposta de trabalho, pensam: “Uau, que maravilha, vou dobrar meu salário”. Neste momento, começa o julgamento do atual lugar onde trabalha, criando uma imagem negativa, colocando todos os defeitos possíveis para criar mentalmente, argumentos positivos da decisão de aceitar a nova proposta de trabalho, recheada de sonhos. Muitos se dão bem, mas tem uma boa parte que se arrepende
- Algum tempo depois na “casa nova”, começam a surgir algumas falhas que até então não estavam visíveis para o olhar encantado do colaborador. Surgem coisas que não lhe agradam e que não estavam contemplados no sonho apresentado. A ficha cai, e as vezes bate até saudade do antigo local de trabalho. Começam a comparar e a valorizar o que tinham nas mãos. Alguns assumem esta linha de pensamento, mas outros não querem assumir devido a decisão tomada. É como aquele filho de família do interior que era louco pra ir pra cidade, quando conhece, tem saudade do interior e do aconhego da família e das amizades verdadeiras;
- Diante da pressão por resultados maiores, metas que visam gerar lucros ainda maiores, o colaborador agora reclama do pouco tempo que tem para cuidar da vida pessoal. Começa a dar sinais de desequilíbrio, com noites mal dormidas, precisa acionar recursos como terapias, medicamentos e acompanhamentos de profissionais para o controle da ansiedade. O tempo começa a ser um dos grandes vilões, vendo os filhos crescendo sem tempo para os momentos mágicos da vida, desgastando seu relacionamento e se vendo empenhado apenas em ter que fazer jus ao novo salário.
- É bem provável que o ciclo vai se repetir, ou seja, ele vai buscar novas oportunidades no mercado e vai ir em busca, só que agora o salário não vai dobrar, as vezes pode até baixar, pois já sofreu na primeira busca, e se não se encontrar novamente, corre o risco do tempo ir passando e o mesmo não se encontrar, não deixar legado em nenhum trabalho que passa, e geralmente vive inconformado, e com sensação de inércia, que o tempo passa e ele nao alcança nunca seus objetivos, e começa a ficar difícil de encontrar novos empregos, pois quem recruta começa a questionar porque você não para em lugar nenhum?
Penso que todos deveriam estar conscientes do que realmente é viver em harmonia e em sintonia com seu trabalho, conscientes de que propostas tentadoras podem ser “temporárias”, com a tendência de te fazer adoecer silenciosamente, até porque, muitas empresas tratam colaboradores apenas como números, não dando a mínima para sua qualidade de vida.
O Cavalo de Troia
O cavalo de troia é um símbolo da Guerra de Troia. Esse suposto presente dado pelos gregos aos troianos ao final da guerra, fez parte de uma grande artimanha criada por Odisseu, grande estrategista, para que os gregos vencessem o conflito.
Empresas que aparentemente parecem “bonitinhas”, oferecendo tudo do bom e do melhor, podem ser grandes estrategistas. Ao olhar por fora você vê riqueza, grandes carreiras, ótimos projetos, puffs, pessoas felizes e muitos outros lindos adjetivos. Mas por dentro, podem ser ocas, onde você terá que vencer batalhas diárias para não adoecer. E não seja ingênuo, muitos empresários conhecem como funciona a busca de jovens profissionais e sua cegueira pelo “status”.
Clique aqui para conhecer uma visão sobre empresas legais de verdade, e o que elas fazem.
A busca pelo dinheiro não está no dinheiro em si
Quando ainda mais jovem eu tinha muitos sonhos grandes, e para mim, a palavra “crescimento” profissional estava associado a dinheiro, status, fama, carros de luxo, casa dos sonhos, poder viajar quando bem entender, ser reconhecido no mundo dos negócios, dentre tantos outros fatores “artificiais” como estes. Hoje, após muito sofrimento, compartilho com vocês o meu aprendizado.
Quando eu tinha 22 anos, assisti uma palestra sobre inteligência emocional, e descobri o que era realmente propósito. Comecei a compreender o que era felicidade sob outros pontos de vista, bem diferentes do que tinha em minha mente na época. Deste momento em diante, parei para refletir e ajustar minha rota. Aos 24 anos, eu já estava ganhando um excelente salário, mas eu praticamente não tinha vida, e decidi abdicar daquele belo salário para empreender, ganhando exatamente 25% do que eu ganhava, com a convicção que aquela vida, eu não queria mais. Decidi viver o meu propósito, ser feliz com o que eu tinha, e se essa loucura desse certo, eu poderia encontrar pessoas que pensassem da mesma forma, e juntos formarmos um negócio realmente de valor.
Pouco mais de 16 anos da decisão de mudar de vida, posso dizer que já ganhei mais dinheiro que na época, não tenho um salário de CEO de mercado, mas ganho o suficiente para ser feliz e ter uma alma em paz, e o que me deixa mais realizado não são os ganhos pessoais, mas sim por proporcionar esse pensamento com quem trabalha comigo, e ver o crescimento deles, ver os colaboradores crescendo na empresa, criando suas famílias, conquistando seus sonhos pessoais e materiais, e com a consciência de que para alcançar qualquer objetivo na vida é preciso estar em paz e ter qualidade de vida.
Minha dica: Não mude de emprego e nem abra uma empresa apenas por dinheiro. Se o seu desejo é crescer, descubra seu propósito. Dedique-se ainda mais pelo que você acredita, faça as coisas cada dia melhor, estude muito, crie uma competição com você mesmo, se superando a cada dia. Você verá que o dinheiro vai ser apenas consequência. Agora se sua empresa não te fornece um plano de crescimento claro, exija dela, busque saber como você cresce na empresa, o que você ganha se você fizer realmente um trabalho combinado, e se ela não te der a resposta você realmente está no lugar errado.

Encerro o texto com mais uma frase simples e marcante, que poderá tocar o coração, assim como me toca a cada vez que eu lembro dela:
“Se você tem uma família que te ama, alguns bons amigos, comida na mesa e um teto sobre sua cabeça, você é mais rico do que você pensa”.
Lembrando que não existe certo ou errado, mas tenho visto muitas pessoas sofrerem e não estarem conscientes da causa, e o sofrimento tem a ver com isso que relatei aqui, por isso compartilhei minhas experiências, já vi por outro lado, pessoas que buscaram novas carreiras, novos caminhos e que deram super certo e ficaram muito felizes com a decisão, ou seja, para cada um é de um jeito, mas agora que você já está um pouco mais consciente, deixo a decisão com você, buen camino.