ESG: o que é, pilares e como aplicar no seu negócio

Conheça o ESG e entenda como implantar a tríade sustentável no seu negócio.
Por Ema

Com o desenvolvimento do capitalismo e uma sociedade super conectada, a visão clássica de acumular capital com maximização do lucro a qualquer custo causa uma desconfiança das pessoas nos negócios e também no modelo capitalista.

Esse capitalismo extremo deixa um rastro de impactos negativos nos colaboradores, no meio ambiente e na sociedade. Com o ESG se analisa os impactos da operação e cria um plano de administração para aumentar o saldo positivo do negócio na sociedade.

Nesse artigo você vai entender um pouco mais sobre ESG, quais são seus pilares e como pequenos/médios negócios podem aplicá-lo para melhorar seus resultados.

O que é ESG?

ESG é uma sigla do inglês, que significa environmental, social and governance, que na tradução direta são as práticas ambientais, sociais e de governança (ASG em Português) que as organizações adotam.

Com esses três pilares, é possível um crescimento sustentável, não se tratando apenas de uma ‘bandeira verde’, mas sim um equilíbrio responsável. Como na descrição clássica do relatório Brundtland da ONU em 1987, ‘o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.’

Além do status de ‘responsável’ a aplicação de práticas ESG trazem mais competitividade para as empresas, representando solidez, custos mais baixos e maior reputação. A aplicação de ESG é muitas vezes critério para o negócio receber investimento externo e para as empresas listadas na bolsa símbolo de bons papéis.

Origem do ESG

O termo ESG surgiu pela primeira vez em 2004, na publicação ‘Who Cares Wins’ pelo Pacto Global da ONU em parceria com o banco mundial, após a reunião do então secretário-geral da ONU com 50 CEO’s de grandes instituições financeiras.

O objetivo da reunião era realmente discutir a implantação de melhores práticas ambientais, sociais e de governança. Além da origem do nome essa reunião é como um ‘marco zero’ do movimento de incentivo a ESG nas avaliações financeiras.

Pilares do ESG

Saiba mais sobre os 3 pilares do ESG: impacto ambiental, responsabilidade social e governança corporativa e algumas ações envolvidas em cada um deles.

Impacto Ambiental

O impacto ambiental é o primeiro pilar que lembramos quando falamos sobre sustentabilidade, havendo uma pressão do mercado de investimentos, do governo e dos consumidores para que ele seja minimizado.

As empresas que possuem impactos ambientais são aquelas que usam matérias-primas fóssil, mineral, animal ou vegetal no processo produtivo, realizam emissão de gases ou geram efluentes/resíduos durante o processo.

A indústria é quem têm o maior desafio se tratando de impactos ambientais com os processos: extrativistas (madeira, mineração, petróleo), produtivo (indústria de alimentos, automobilística, petroquímica) e de infraestrutura (geração de energia e construção) tendo o maior potencial de impacto negativo.

Mas não se restringe somente a indústria, o varejo e o setor de serviço também tem uma cadeia de suprimento com problemas na produção, alta emissão de gases na cadeia logística e dificuldade na gestão dos resíduos.

Alguns indicadores envolvidos no impacto ambiental são:

  • Atuar conforme as normas de proteção ambiental;
  • Aquisição de matérias-primas de forma consciente, que sejam de fontes confiáveis e ambientalmente corretas;
  • Reaproveitamento dos materiais da operação por meio da reciclagem, redução ou reutilização;
  • Controle das emissões de gases, efluentes e resíduos da operação, destinando-os corretamente.

Responsabilidade Social

As empresas são compostas por pessoas e feitas para pessoas, impactando também outras de forma indireta como fornecedores, familiares e comunidade. Seu envolvimento na sociedade é indiscutível, a responsabilidade social empresarial são as decisões práticas no planejamento do negócio em prol do desenvolvimento da sociedade.

A lógica simples é que essas decisões devem levar ao desenvolvimento econômico e social de seus colaboradores, impactando diretamente nas suas famílias, criando uma cadeia que influi na melhora da qualidade de vida de toda a comunidade que faz parte.

Alguns indicadores possíveis envolvidos normalmente nesse pilar do ESG são:

  • Segurança no trabalho mantendo a saúde dos colaboradores;
  • Treinamento e desenvolvimento dos colaboradores;
  • Boas práticas trabalhistas mantendo os direitos e deveres dos colaboradores;
  • Respeito aos Direitos Humanos;
  • Incentivo a Diversidade Cultural dos colaboradores.

Governança Corporativa

A Governança é como as empresas são administradas, envolvendo o relacionamento entre os sócios, entre a liderança, com os colaboradores e com todos os stakeholders, as partes interessadas.

É papel da liderança do negócio, administradores, conselho e auditores, criar seu modelo de governança definindo como o negócio vai ser gerido, considerando os princípios básicos da Governança e as diretrizes estratégicas do negócio como fator determinante na definição desse modelo de gestão (seu propósito, missão, visão, valores e princípios).

Os princípios básicos de Governança Corporativa são:

  • Transparência: Comunicar e disponibilizar as informações relevantes e que sejam de interesse das partes interessadas, indo além daquelas que são obrigadas pela legislação.
  • Equidade: Tratamento justo e igualitário entre os stakeholders, considerando seus direitos, interesses, expectativas e deveres.
  • Prestação de Contas: Os líderes da governança devem demonstrar com clareza as ações realizadas enquanto responsáveis pela gestão. Se responsabilizando pelos resultados e consequências das decisões.
  • Responsabilidade Corporativa: Manter a viabilidade financeira e minimizar os impactos negativos do negócio considerando o curto, médio e longo prazo.

Práticas ESG: Como implantar no negócio?

As boas práticas ESG podem já ser aplicadas no negócio ou nascerem de forma intencional, seguindo alguns passos você vai entender o estado atual do negócio, quais são os caminhos de atuação, desenhar uma estratégia de priorização e como engajar todos os envolvidos.

  1. Mapear: é onde você vai entender a situação atual do negócio, analisando o impacto, negativo ou positivo, do negócio em toda a operação e nos 3 pilares. Pode começar respondendo algumas perguntas: como é o relacionamento com os fornecedores? Você conhece a origem da matéria-prima? Como é a operação? E o tratamento com os colaboradores? Quais são suas práticas de gestão? Os resíduos são tratados e bem destinados? E o pagamento de impostos?
  2. Definir indicadores: entendendo as áreas de impactos chegou a hora de contabilizar esse impacto, deve ser utilizado indicadores que embasem o seu mapeamento e facilitem a priorização. Por exemplo, se foi identificado um impacto negativo nos efluentes da sua operação, deve ser contabilizado quantos m³/hora são gerados.
  3. Priorizar: após analisar os indicadores os planos de ação devem ser realizados pensando na estratégia do negócio, o que é mais relevante para seus stakeholders? Quais são as oportunidades de vantagem competitiva? A ONU recomenda primeiro minimizar os impactos negativos e só depois potencializar os positivos aumentando o saldo do negócio.
  4. Estabelecer metas para os planos de ação: com as ações priorizadas chegou a hora de definir quais são as metas de médio e longo prazo das ações ESG no seu negócio, entendendo. Se você priorizou, por exemplo, a atuação nos efluentes, uma meta possível seria reduzir 50% desses efluentes até 2025 ou aumentar a % de tratamento para 95%. Pensando nos outros pilares algumas metas possíveis seriam aumentar a participação de fornecedores locais na sua cadeia de produção ou aumentar a equidade de gênero no grupo de liderança/conselho.
  5. Comunicar e envolver todos nas metas: as metas ESG devem ser alinhadas a estratégia do negócio, conhecidas por todos e tendo a participação integral do estagiário ao CEO. Seguindo os princípios da governança a transparência é essencial para o alcance nessas metas, crie um plano de comunicação e treinamento que engaje seus stakeholders no alcance dos objetivos, para que eles também entendam a importância e qual o plano de atuação do seu negócio.

Quer saber mais sobre práticas de gestão? Conheça o Capitalismo Consciente, modelo de gestão que repensa o capitalismo inserindo o propósito como principal objetivo do negócio.

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